
Quero me tapar
Me esconder e afugentar
Tapar meu olhos
E cegar meus ouvidos
Costurar minha boca
Em refúgios mal ditas
Engolir meu veneno
Que queima em minhas veias
Cortarei minhas mãos
E guardarei meus pés
Aterrisarei em meu obscuro
E venenoso paladar
Rancarei meu olhos
Que não controla minhas lágrimas
Que não me fazem enxergar quem sou
E lança aos outros pouco da minha alma que restou
Lavarei meus pensamentos
Limparei toda lembrança, minha esperança
E os sucumbirei no esquecimento
E tentarei não tê-los de volta
Venderei minha alma
Ou darei aos carnicentos da podridão humana
Já que não à aceitas
Jogarei-á escuridão as rejeitas
Enfim circucisarei meu coração
Renovarei meus batimentos
Ou não já terei mais
E ainda te deixarei em paz

